Maurício Zanon

“No meio do caminho tem uma pedra”.

A grande lição da História, a que sempre fica e não é novidade para ninguém, é que ela sempre se repete. Reveses no presente podem ser valiosas lições para o progresso futuro. Pensar a Previdência e previdência é, antes de tudo, pensar no COLETIVO. Idem a nossa carreira. 
Qualquer um de nós, que tivermos consciência da importância estratégica da carreira para o país, tem que abster-se primeiramente da trilogia clássica dos males da humanidade: orgulho, egoísmo e interesse pessoal. A duras penas e a muito contra gosto do governo (qualquer governo, diga-se de passagem), conseguimos uma carreira que tinha tudo de promissora até que aquela trilogia aflorou em 2008 e personificada, nos conduziu a um engessamento de 9 horas diárias do nosso precioso tempo , ponto eletrônico e durante a greve fortíssima do ano passado, mas acéfala, quase aniquilou definitivamente a carreira com a terceirização. 
Quem diria: seríamos a única carreira terceirizada no governo estatizante do PT. Como disse no principio, viajemos até 1997, ocasião em que quase “ganhamos” a carreira de graça quando um ministro da previdência e um presidente do INSS coincidentemente também baianos (por favor , aqui nenhuma crítica aos nascidos na boa terra), convidou a então Coordenadora de Pericias Médicas para o seu esboço, e inexplicavelmente a trilogia agiu nas sombras e o “presente” veio com a terceirização, criação da carreira de supervisor médico pericial para gerir os terceirizados e fomos jogados no limbo “em extinção”. 
Acreditávamos em 2005 que, com o concurso público, gente nova altamente qualificada e motivada, mostraríamos ao governo que valeria a pena investir na carreira, seríamos importantes para a moralidade pública e poderosos agentes a tentar cumprir com equidade a legislação previdenciária atrelada à justiça social. Houve diminuição drástica das filas, paralisação da progressão geométrica do auxilio doença e mesmo a sua redução, melhoria acentuada no atendimento graças à nossa mobilização etc. Qual o quê!!! A nítida impressão é que quanto melhores os resultados do nosso trabalho, mais incomodamos o governo. Para não delongarmos, portanto, as minhas conclusões:

Em primeiro lugar temos que arrumar a casa: CADA PERITO, UM VOTO.

2-ELEIÇÃO DIRETA DE UMA DIRETORIA REALMENTE AFINADA COM OS INTERESSES DA CATEGORIA E NÃO COM OS SEUS PRÓPRIOS, COMO O QUE ACONTECE ATUALMENTE. NÃO AO CONTINUISMO.

3- UM NOVO CAMINHO > A PERÍCIA MÉDICA UNIFICADA E FEDERAL, DESVINCULADA DO INSS, AUTÔNOMA, como os procuradores e auditores fiscais.  Não cometamos mais o erro de uma greve que, sem proposta objetiva e enxuta, sem comando, sem liderança, sem uma cabeça pensante é suicídio. Colocarmos os ovos todos na cesta da Justiça também. Ainda estamos engatinhando em relação à CIDADANIA. O Brasil é um país novo em relação às grandes democracias do mundo, mas apesar do inegável progresso material que tivemos no governo LULA, esta parte continua paralisada. O governo é um dos braços do poder temporal, junto com o poder econômico, os poderes constituídos e a mídia. A única luz no fim do túnel que temos, por incrível que pareça e talvez por isto, é o mais atacado pela mídia, é o PODER LEGISLATIVO e que por maior aprovação popular que possa ter o Executivo, uma hora, ou freqüentemente, irá precisar do Legislativo para aprovar as medidas do seu interesse.

O Executivo é hermético, de difícil acesso, quase inexpugnável. O Judiciário é a “Coruja de Minerva”, só voa ao entardecer, no crepúsculo, o mais avesso às mudanças, à evolução, ao progresso da espécie humana.

4-VENCIMENTOS POR SUBSÍDIO, sem quaisquer “gratificações“ atreladas a filas, agenda etc, nítidos mecanismos de controle da nossa autonomia ao nosso ato médico legal de julgar direitos e lesivo aos usuários.

5-CARREIRA DE 6 HORAS CORRIDAS: primeiro pela desconfiança na instituição. Segundo porque ninguém suporta o tipo de serviço nas condições de trabalho nas atuais por mais que 6 horas.

Por fim, porque é no fim que a idéia fica, volto ao poeta mineiro de Itabira. A pedra no meio do caminho. Onde está a pedra? No governo? No segurado? No “fraudador”? No gerente? Certamente são pedras, mas fazendo uma reflexão talvez filosófica, porém real, olhando para dentro de nós, na nossa omissão, no nosso interesse pessoal de nos “ajeitarmos” dentro do INSS o mais longe possível do segurado e da sala de exame, sempre deixando para o outro a exposição e o risco, se desculpando com ”eu não tenho perfil”, o individualismo em si, isto sim é a maior pedra em nosso caminho e não aquelas acima, que não passam de pedregulhos. Vejam a história de 97.